DunedinÉ incrível, mas eu fico aqui quebrando minha cabeça e ainda assim não consigo imaginar nada que possa amedrontar os Kiwis. Eles não têm medo de assalto (pelo menos aqui no sul, já ouvi falar que em Auckland é um pouco diferente, mas ainda assim...). Eles não temem guerra ou terrorismo, ah, e nem os Estados Unidos. Aqui não ocorre nenhum tipo de desastre natural. Eles não têm animais peçonhentos, mesmo estando próximo do país que tem os animais mais venenosos do mundo (Esteve Irwin que o diga). Temos uma aranha que vive no nosso banheiro, todos os dias eu olho pra ela e mostro a língua (imaginem, aranhas sem veneno), mas na saída sempre dou uma olhadinha para ver se ela ainda está lá, vai que justo essa tenha vindo do Brasil na nossa mala. Eles não têm medo de não poderem pagar as contas no fim do mês, não, as pessoas não precisam ter esse medo aqui. No trânsito ninguém corre, ninguém ultrapassa na faixa contínua ou cruza um sinal fechado. Eles não conhecem muros, grades com pontas para todos os lados, cercas elétricas e alarmes. Eles assinam papel em branco, mas geralmente não precisam de assinaturas, a palavra basta.
O Ewan (orientador do Ig) contou de um amigo que perdeu as chaves de casa há muitos anos, mas ele não correu para trocar a fechadura, não, desde então ele simplesmente não tranca mais as portas.
Eu falei que conhecemos um casal de argentinos aqui né? Pois é, eles nos contaram uma história muito engraçada que aconteceu aqui um par de meses atrás, mas antes vou falar um pouco deles. Ele é psiquiatra e ela está dando aula de espanhol na universidade, vivem aqui há oito anos e moram numa casa linda com grandes janelões e com uma vista fantástica para toa a cidade e ainda se pode ver o mar atrás. Ele tem um nome difícil, muito diferente, talvez vocês não saibam como pronunciar: Juan Ignacio hehehe e ela também, pelo nome eu nem diria que é argentina: Lucia. Eles são uns amores e tem um filhinho muito fofo que se chama... adivinhem... Juancito!!! Juan Ignacio como o pai. Que raro, no? hehehe. Acho que é por isso que os hispanoablantes sempre se identificam com Cem Anos de Solidão. Bom, mas voltando à história que Juan, o pai, nos contou: um dia eles estavam jantando e viram de uma de suas grandes janelas um helicóptero da polícia sobrevoar a cidade, foram para a rua para ver melhor e perceberam toda uma movimentação da polícia tipo SWAT que se concentrou no centro da cidade, carros, helicópteros, atiradores de elite, toda aquela gente vestida de preto com rifles e sei lá o que. Ficaram muito preocupados tentando imaginar o que estava acontecendo. No outro dia pela manhã uma vizinha, que já havia se interado da história, contou que uma mulher grávida de oito meses entrou numa farmácia e disse pro farmacêutico: tenho uma faca e quero todos os Prozacs que tiveres. O farmacêutico não pensou duas vezes, entregou tudo o que tinha, e depois chamou a polícia. A polícia veio daquela forma que descrevi antes e prendeu a mulher grávida de oito meses (com uma barriga tão grande que mal podia se mexer) que na verdade não tinha faca nenhuma. O farmacêutico quase desmaiou, entrou em estado de choque. Ao meio dia Juan e Lucia ainda viram na TV um policial dizendo: o farmacêutico fez o certo em entregar a mercadoria e chamar a polícia, vai que a mulher grávida tivesse uma faca mesmo, ele não podia arriscar, a polícia está aqui para resolver estes problemas, bla bla bla... hehehe Inacreditável, não? Ah, detalhe: o farmaceutico conhecia a mulher que vizinha e cliente antiga!!!!
Acho que é por isso que eles têm a capital mundial dos esportes radicais, aqui provar o medo é diversão.
Nosso maior medo agora é voltar para o Brasil. Mas pai e mãe, não se preocupem, temos que voltar. hehehe
Beijos e até logo
PS: Neste post não vou falar de saudades.



Um comentário:
E ai Ig! e Bita!!
To acompanhando o blog de vcs. Fiquei sabendo ontem..muito massa. A parte do carro "virado" é muito engraçada! hehe
Mando um abraço pra voces ai tudo de bão!
JAQUET
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